Na vida e bem possível construímos variadas famílias
Sabe aquele amigo irmão, ou aquele vizinho tio, avozinha e por ai vai, o carinho despertado em nos é tão intenso que logo vamos dando títulos como:
Gosto tanto de fulano como se fosse meu irmão ou ela é tão amorosa parece minha tia, nos damos tão bem parecemos primos…
Tem aquela família que Deus escolheu para nos, é aquela família que muitas vezes brigamos, fazemos as pazes, arrancamos os cabelos, e não permitimos jamais que ninguém fale, difame ou brinque já que somente nos somos portadores da razão e dessa forma podemos: brigar, brincar, resmungar, acarinhar, esfolar e assim por adiante, família é aquilo que nos garante, permite sorrir, chorar aquilo que ampara, abriga, conforta e por vezes magoa.
A minha amiga irmã Célia tornou-se avó do Miguel, e a expectativa pela chegada foi vivenciada por todos os membros familiares e amigos, que direta ou indiretamente e dentro de suas capacidades se organizaram para dar as boas vindas ao novo ser.
Essa historia foi se desenhando como tantas outras, comum ao nosso dia a dia, tudo magicamente escolhido, roupinhas, brinquedos, berço, abajur, amor, beleza, sorrisos entre sapatinhos, babadores, fraldinhas e muito mais.
Enquanto essa historia se desenrolava nos bastidores do ventre de sua mãe gentil, Beatriz caminhava com olhos, ouvidos e corações atentos e mal via à hora de dar boas vindas ao seu priminho Miguel.
e quando foi anunciada a chegada de seu priminho, retrucou:
– Ufa! Finalmente vou poder levar meu presentinho para meu priminho.
Imagine a decepção de Beatriz quando a enfermeira barrou a na porta dizendo:
– Somente maiores de 12 anos possuem permissão para visitar o Miguel.
Assim que a enfermeira retirou-se Beatriz chamou Célia e disse com toda sua perspicácia:
– Eu ficar sem conhecer meu priminho, não mesmo! E vou é fingir que tenho 12 anos, kkk.
A criança que existe em mim se encanta quando encontra com crianças assim como Beatriz que não se deixa abater e busca mesmo que fantasiosas soluções para todas as suas dificuldades e são casos como esse que me faz crer na possibilidade, na transformação, na alegria e na beleza de amar.
Parabéns Beatriz! Hoje a criança que existe em mim lhe dedica com carinho esse singelo quadrinho.
Júninha Magalhães
